Drawing, thinking Calvino: Despina

08 Despina
“De duas maneiras se chega a Despina: de navio ou de camelo.
A cidade apresenta-se diferente a quem vem por terra e a quem vem por mar.
O condutor de camelos que vê aparecer no horizonte do planalto os pináculos dos arranha-céus, as antenas de radar, (…) pensa num navio, sabe que é cidade mas pensa-a como uma nau que o leva para fora do deserto, um veleiro que esteja para zarpar (…).
Por entre o nevoeiro da costa o marinheiro distingue a forma de uma bossa de camelo, (…) sabe que é uma cidade mas pensa-a como um camelo (…), e já se vê à cabeça de uma longa caravana que o leva para fora do deserto do mar, a caminho de um oásis de água doce à sombra serrilhada das palmeiras (…).
Todas as cidades recebem a sua forma do deserto a que se opõem; é assim que o condutor de camelos e o marinheiro veem Despina, cidade de fronteira entre dois desertos.”
Reading Italo Calvino’s Invisible Cities (As Cidades Invisíveis, D.Quixote, 2015). At the same time, trying to conjure those imagined cities onto paper. Eight city: Despina.
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About Maria GC Aragão

Architect, part-time lecturer, external examiner. I am interested in spaces of collective memory, the visual arts and architecture’s potential to enable change. I practice at the intersection between meaning, aesthetics and commerce. As an external examiner I look to architecture as an act of translation

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